Desinformações, “Equívocos” e Confusão

Desinformações, “Equívocos” e Confusão
Uma característica mentecapta dos governos Brasileiros
Ou
Sobre o Novo Ensino Médio na gestão de Michel Temer
(Armandinho – Disponível no Facebook)
Confusão! C.O.N.F.U.S.Ã.O!!! Essa é a palavra mais cabível a tudo o que se observa em termos de ações políticas e institucionais no governo Michel Temer. A confusão, a rede de desinformação e os desencontros midiáticos entre a grande imprensa, os veículos oficiais e as mídias independentes não são exclusividade da nova gestão governamental. Desde o primeiro mandato de Dilma, tal “tradição” burra se tornou corriqueira. A oposição que mente descaradamente e alardeia tal mentira numa prática a la Goebbels, a imprecisão e ambiguidade nos discursos oficiais e as especulações de sujeitos ignorantes ao fato em si colaboram imensamente para a manutenção de tal “tradição”, que repito, é burra em essência e tem o perigoso dom de emburrecer quem cai no conto do vigário.
   Enquanto professor, sujeito pensante e integrante da classe acadêmica e da educação básica, sempre que leio ou ouço algo relacionado a educação, redobro a atenção e afino os sentidos para depurar a notícia e absorver o máximo de informações acerca do que estou lendo\ouvindo. Esse mês de Setembro meus caros, admito, está sendo terrível!
   As discussões – na realidade a ausência delas – em torno da educação nas últimas semanas tem me preocupado em demasia. Em primeiro lugar, a BNCC(1) que sinceramente tem tirado o sono de muitos professores, em especial dos de História. Uma base que está sendo reformulada numa descarada tentativa de atender a “demanda” dos movimentos sociais (ênfase demasiada no caráter particular de Histórias em detrimento da História Clássica Geral(2)) e pior, não ouvindo os professores! O “ouvir” em tons “democráticos” ocorre por meio de fóruns e seminários rápidos e nada dialógicos, além de o serem pouco divulgados.
   Como sabemos que desgraça pouca é bobagem, foi anunciado nesta quinta (22) a medida provisória(3) do “novo Ensino Médio” que, em tons muito ambíguos e nada claros, propõe uma “flexibilização” do ciclo, além de “enxugar” disciplinas como Ed. Física, Artes, Filosofia e Sociologia. Isso foi a gota d´água! Não entrarei no mérito da Ed. Física, sei que é deveras importante tal disciplina, afinal a saúde física oriunda de uma boa consciência corporal e esportiva faz parte da vida do aluno, levando em conta o despertar vocacional para o esporte que a disciplina gera, mas me incomoda a “porrada” direta que as áreas de humanas recebem.
   Embora afastando-se de comparações que podem incorrer em anacronismo, não é de hoje que governos impopulares atacam as Ciências Humanas. O período do Governo Civil-Militar, instaurado pelo Golpe Militar de 1964 não apenas atacou tais disciplinas (Filosofia e Sociologia) como a retiraram do currículo. Se forem observadas, levando em conta as rupturas e permanências das distintas temporalidades, a proposta de educação do governo Temer (que ironicamente iniciou-se na gestão Dilma) de cunho tecnicista e laboralista, partindo de um modelo norte-americano, é parecidíssimo com o modelo militar usado durante a ditadura. Tirem suas conclusões.
   A disciplina de História não foi atacada, creio eu, porque ela, afinal, já foi bastante sangrada na BNCC. Enfim, tal proposta descabida, ignorante, antidemocrática, emburrecedora, em suma, a definição legítima de retrocesso, foi divulgada em massa pelas mídias de pequeno e grande porte. A resposta foi quase imediata. Assinei mil petições contra a proposta, li inúmeros comentários (e infelizmente nem sempre os comentários são lúcidos) e observei atentamente o comportamento dos periódicos e redes sociais sobre a temática. Eu estava já preparando o meu posicionamento contra tal sandice, quando percebo uma reviravolta na coisa toda:
(Foto disponível na página oficial do Ministério da Educação – MEC no Facebook, desmentindo a exclusão real das disciplinas divulgadas…)
 Neste momento eu parei. Estive imerso por exatamente uma hora em total inércia. Como isso é possível? Realmente, não dá pra dar credibilidade a um governo e a uma imprensa que mente ou acoberta, ou ainda, manipula informações tão relevantes para um fato tão sério como esse. No momento você percebe que, mais uma vez, você termina por se reduzir a famosa “massa de manobra” de interesses. A filosofa Hannah Arendt diz em seu famoso “Origens do Totalitarismo” que, quem participa de grupos, criando assim um espaço público (em um “resgate” da concepção da Ágora grega) está “a salvo” das armadilhas do senso comum e da massificação, que por sua vez, geram o totalitarismo. Embora eu participe de muitos grupos, pude perceber que não levei a discussão – bem “fresca” por sinal – aos grupos que faço parte, e, por consequência, fiz parte, mesmo que por algumas horas, da massa que nada entende mas a que tudo julga com ares de especialista (embora eu seja especialista em educação).
   Neste ínterim, visualizei um post no perfil de uma amiga minha, que, diga-se de passagem, elucidou a minha linha de raciocínio:
(Montagem disponível no Facebook)
Sinceramente, não me agrada em absolutamente nada tal estratégia. Os governos testam as massas como num fetiche behaviorista, de estímulo e resposta. Elaboram os programas e políticas públicas mais non sense numa recorrência alarmante. O governo Temer já se mostrou a que veio, e toda a classe dos profissionais da educação e a classe estudantil, quer superior ou secundarista, deve engrossar as fileiras do posicionamento contra tal projeto de poder e governança.
   Finalizando, gostaria de aproveitar o ensejo e elucidar um dos pontos mais ridículos da proposta do “Novo (velho) Ensino Médio”, é a questão do “notório saber”. O notório saber, na realidade, é a formalização institucional que as universidades brasileiras usam para classificar um professor que não tenha um doutorado na área em questão, mas que seja comprovado um “notório saber” que o mesmo possua fora da educação formal(4).
   Acho muito problemático tal coisa na educação básica, sendo que já o é no ensino superior. Como valorizar o licenciado nas áreas específicas, sendo que qualquer profissional que possua o tal do “notório saber” possa aplicar tais aulas? Como fortalecer as licenciaturas, a cada dia mais sucateadas, se o horizonte da profissão segue rumo ao precipício do sucateamento do sucateamento?
   Sinceramente, para onde iremos? Está ai uma pergunta realmente difícil de responder. Estarei além do ofício do Historiador, em não julgar, mas compreender os fatos e conjunturas, mas, lutando e militando pela educação, pauta essa que vale a pena lutar.
Prof. Lucas Rodrigues
Notas e Referências 
 
(1) Base Nacional Comum Curricular
(2) Leiam a proposta da BNCC em História…é de assustar. (Spoiler) É sucateamento do ensino de História…S.U.C.A.T.E.A.M.E.N.T.O!.!.!
(4) Por exemplo: Um professor de Literatura tem “notório saber” em História, Artes, Filosofia e Sociologia, portanto,  o mesmo poderá ter a atribuição de todas essas disciplinas. Tal prática é condenável sob duas perspectivas. Primeira: supervaloriza um profissional em detrimento dos demais especialistas da área, que naturalmente serão bem mais competentes do que o “polivalente de ensino médio”. Isso auxiliará, principalmente, a queda vertiginosa da qualidade de uma educação que já não é das melhores, além de favorecer uma minoria docente (levando em conta que a classe magisterial é desunida ad aeternum) Segunda: Desvalorizará e, consequentemente, fechará as portas das inúmeras licenciaturas das áreas pelo Brasil afora. Para uma sociedade democrática e pós-moderna configura-se como um crime, um absurdo, configurando-se como um retrocesso dos mais violentos observados no Brasil pós redemocratização.
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