Começos e recomeços

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A geopolítica assistindo ao nascimento do homem novo, Salvador Dalí – 1943

Todos os anos que se seguem é a mesma celeuma: começos, recomeços, novos ciclos, como se tudo fosse dar um reset e do nada as soluções mágicas aparecessem, como fórmula pronta para todos os nossos problemas e dilemas.

Embora o clichê sempre esteja em alta, como uma egrégora que sempre se fortalece a partir da atenção que lhe é dispensada, as palavras e desejos de começos e recomeços retornam e eu retornei a todos eles.

O ano de 2016 de fato, fora difícil. Mortes em demasia, (contabilize as que você ouviu, agora pense naquelas que ocorrem cotidianamente e das quais nunca saberemos) conjuntura política complicada ao extremo, extremismos ideológicos e segregação automática, pessimismo estrutural e sim, o apogeu da doença do século e da geração da década de 90 principalmente: (valendo lembrar que tal geração dos anos noventa já não compõe mais menores de idade a partir de 2017) a depressão.

Logicamente que o ano não foi só tragédia, mas parece que o drama da realidade e o peso da condição humana, em seus variáveis níveis de baixeza, estiveram latentes e sim, sugaram ao esgotamento parcial ou total muita gente. Esgotamento físico, e sobretudo psicológico.

Mas eis que surge a aurora de mais um ano, e com ela a esperança sempre renovada de que tudo vai melhorar. É incrível como o ser humano se apega ao tom utópico das coisas, o além da realidade, a transcendência da vida. Recorda-me Eduardo Galeano, que sabiamente nos diz que a utopia nos faz caminhar, ter horizonte, ter esperança, ter algo pelo que vale a pena perseguir. Ainda vale uma anedota da filosofa Edith Stein (depois S. Teresa B. da Cruz, O.C.D) de que “vale a pena esperar o que vale a pena possuir” e tal pensamento fortalece exponencialmente a nossa consciência enquanto sujeito.

E o que devemos possuir?

1º Fuja dos gurus: Estamos cercados de gente que quer dizer exatamente o que nós devemos fazer, com autoritarismo e crueldade disfarçada de verdade, não levando em conta a nossa subjetividade. Seja você mesmo onde estiver! Seja você, com acertos e erros, rupturas e permanências, defeitos e trejeitos, personalidade.

2º Faça de si mesmo (a) uma morada: Se aceite, se ame, não se limite, não se exponha, mas também não se tranque perante os olhares inquiridores dos outros. Se há algo que aprendi é que, independente do jeito que você estiver, haverá sempre alguém que irá te odiar ou querer debochar sempre.

3º Não se limite: Viaje, ame, se apaixone, quebre a cara, erre, acerte, faça escolhas, conheça, tenha sede de sabedoria, seja curioso (a). O mundo está cheio de pessoas vazias e modelos prontos de pessoas falidas emocionalmente, reprodutoras de um sistema que objetifica e normatiza. Mais heterogeneidade!

A lista pode ser infinita, mas limitei-me a numerar algo que deu certo comigo, e sei que certamente valerá para você ou para alguém por ai. O que importa é ter em mente que você, todos nós, somos universos particulares, e sinceramente, precisamos fugir de sermos “universos em desencanto” como canta nosso querido Tim Maia.

No fim, o que resta é só e somente nós. E o que será de nós se não tratamos de construir e ser aquilo que somos de fato, em prol do que outros querem que nós assim sejamos ao seu próprio gosto?

No mais, isso é mais um desabafo do que uma carta de recomendação, afinal, morreremos sem termos edificado totalmente a nossa consciência, afinal, se somos universos, devemos imitar o nosso acima de nossas cabeças, que diga-se de passagem: está em recorrente expansão.

Feliz 2017 (atrasado)!!!

§§§

Este ano, o blog voltará a funcionar com maior frequência, aguardem e compartilhem!

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