BASTA! Não à Re(de)forma da Previdência!

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É Mafalda, o mundo sempre foi transtornado, mas eu gostaria mesmo é que parassem, neste exato momento, o Brasil!

Em momentos de turbulência, não há como se omitir perante o perigo iminente. A necessidade de gritar, de expor, e principalmente, de alertar e lutar em momentos de desmonte dos nossos direitos torna-se obrigação moral!

por Lucas Rodrigues.

Acompanho a política nacional com olhos bem abertos, com criticidade afiada, porém, tenho apenas observado, com a distância que me é peculiar. Cansei-me, e esgotei-me perante o infértil debate em redes sociais, onde uma frase é recheada com ódio gratuito e ataques à pessoa detentora do discurso, e não o argumento em si, o famoso e famigerado ad hominem. Como tal proceder já torrou não apenas a minha paciência, mas também da maioria das pessoas, a militância de internet perdeu a graça, página virada.

A cada dia o atual governo de Michel Temer (PMDB) mostrou-se a que veio, impôr a agenda neo-liberal tupiniquim, cedendo e dando lugar às velhas elites que outrora tiveram poder sobre o Brasil, embora com suas respectivas características que a História, em suas rupturas e permanências, demonstre de modo claro (ou nem sempre).

Por outro lado, embora o fato possa doer aos mais frágeis ideologicamente, algumas das propostas já eram vultos bem formados, embora não lúcidos, no governo anterior, da presidente afastada Dilma Rousseff (PT). Porém, está mais do que claro que, Temer recrudesce com requintes de sadismo (que é inerente à casta política da corja da qual faz parte) as propostas de desmonte aos direitos dos trabalhadores, dos estudantes (sejam eles secundaristas e universitários), das mulheres e afins.

Em outra oportunidade, falei de meus anseios referente aos rumos da educação, sobretudo a questão da reforma do Ensino Médio e da exclusão das disciplinas de Filosofia, Sociologia, Artes e Educação Física (você pode ler aqui). Fui tomado de surpresa com a retirada do ensino de História e pior, com a sua aprovação. Um sentimento de impotência tomou conta de mim e de meus iguais, mas este é um assunto para outra reflexão.

Desde o alvorecer de 2017, tenho ouvido falar da Reforma da Previdência. Ora, uma reforma da previdência é muitíssimo necessária! O trabalhador precisa ainda mais do amparo do Estado, proteção e asseguramento total de seus direitos. Os sindicatos, históricos na luta de defesa do trabalhador, precisam ser mais presentes em tornar aceitável e digna a vida do trabalhador. Não podemos ter uma previdência que só pense no trabalhador da cidade, mas também do campo, promovendo a equidade de classe e concedendo aposentadorias justas. Não podendo faltar nesse bojo a questão de gênero e a infame divisão social sexual do trabalho, levando em conta o papel da mulher na casa e no emprego formal e não formal (a jornada dupla) assim como a diminuição da disparidade salarial e altos cargos, quase exclusivamente de homens. Há uma série de questões, mas uma reforma é extremamente necessária em um país onde a pobreza e desigualdade, sobretudo no mundo do trabalho, é estrutural.

Mas, é incrível, sempre tem um “mas”.

O governo apresenta a PEC 287-2016, a dita “Reforma da Previdência” que na realidade surge para destruir a previdência, atingindo a longo prazo, milhões de trabalhadores no decorrer das inúmeras gerações que entram e saem do mercado de trabalho.

Abaixo, peguei emprestado de um site (referenciado abaixo) este folder. Leia o resumo do que se trata tal “””””reforma”””””:

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Falo, a partir daqui, enquanto professor. Saio em defesa de minha classe trabalhista. NÃO À PEC 287!

Acaso, Sr. Presidente golpista(1) Michel Temer, vossa senhoria já esteve ou está em sala de aula nas escolas públicas e privadas Brasil afora? Passou ou passa pelo que nós professores passamos cotidianamente?

Deixe eu lhe apresentar a minha história:

Trabalho desde os 14 anos mediante contrato, destacando-me na comunidade onde residia pelo trabalho de utilidade pública e de incentivo à leitura e à cultura: fundando um ponto de leitura comunitário com o apoio da FBN – RJ. Aos 16 anos, com carteira assinada, mediante a difícil situação da família, trabalhei em supermercado, onde em três anos de casa adquiri doenças e males psicológicos oriundos de maus tratos de patrão para subordinado. Isso se deu por dois fatores substanciais: pela ausência de conhecimento meu sobre os meus direitos enquanto trabalhador e menor de idade, e isso por consequência da falta de cuidado, atenção e proteção do Estado em fiscalizar o cotidiano dentro das grandes empresas. A concordata, o dinheiro e as omissões, até mesmo a desunião dos trabalhadores dificultam a qualidade no trabalho. Isso não é de hoje, mas a deforma da previdência que você, Sr. Temer, chama de reforma, só servirá para tornar tal fato ainda mais corriqueiro do que antes, principalmente em tempos de crise econômica, onde só os mais pobres sentem na pele as consequências da mesma.

Formei-me no ensino superior e hoje curso a segunda licenciatura. Estive dentro de sala de aula no setor privado e público. A educação pública é crítica! Mas ainda assim conseguimos fazer o nosso trabalho, mas, com essa “reforma” qual de nós aguentará?

Nós, professores, estamos morrendo! Estudamos muito, para sermos intelectuais e formadores de seres humanos, e morremos e não conseguimos ver o retorno de todo nosso esforço. Enfrentamos dois, três turnos por dia, excepcionalmente de segunda a sexta dependendo da abrangência de nossa área. Finais de semana são dedicados ao preparo das aulas da semana seguinte, e de projetos, e ainda de uma nova pós-graduação latu e stricto sensu, para que façamos recorrentemente a nossa formação continuada, pois meu caro, professores não param! Queremos a excelência!

Morremos com o pó de giz, com a agressão física e psicológica, com os baixos salários que não correspondem ao que somos e fazemos, com o desgaste pelo excesso de jornada, com a falta de estrutura, com o estigma de estar na profissão errada (isso se torna mais latente se você for mulher, pois professora não ganha pouco, é apenas mal casada!).

Morremos de desgosto, quando somos o que somos, e estamos mendigando sub-empregos fora de nossa área, pois até mesmo o emprego de inúmeros profissionais das áreas retiradas da obrigatoriedade do currículo está ameaçado! Após isso tudo, não devemos aposentar mais cedo? Aliás, todo mundo se aposentando com essa idade ridícula de 65 anos num país em que muitos, sobretudo nas regiões norte\nordeste nem chegam aos 60 com dignidade?

Fácil quando o próprio Temer já é aposentado, com uma aposentadoria gorda, assim como o covil de ratazanas em Brasília que já preparam os seus gordos fundos previdenciários.

Até quando teremos vida de gado? Povo marcado, povo feliz?

Até quando vamos fingir, no nosso comodismo e conforto que tudo isso não nos diz respeito? Ou você que lê é completamente alienado (a) ou muitíssimo mal caráter, ou ainda, se beneficia de tudo isso. A questão é, até quando?

Minha solidariedade e apoio a todos os amigos, colegas professores, meus antigos mestres, que principalmente em São Paulo – SP neste 15 de Março estão parando tudo! Aqui em São João del Rei -MG também fizemos a nossa parte.

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Fotos: Celso Francisco Tondin in Facebook

Não nos importa mais a repressão, é greve geral! Uni-vos trabalhadores! A hora urge em total importância, manter-se parado é ser conivente com tudo isso! A PEC 287 diz respeito a mim, a você, a todos nós! E o que eu terei feito a respeito? O que você terá feito a respeito?

Leia a notícia: “Protesto ‘não muda absolutamente nada’, diz relator da reforma da Previdência”  . É assim? É isso mesmo? Oi? Debocham de nós! O que é que falta em nós brasileiros para arrancarmos de vez essa laia de seus altos postos? Continuaremos errantes, sem brio, olhando apenas para a limitada vidinha medíocre de sempre?

Faço coro à Mafalda, BASTA!

“O descontentamento é o primeiro passo na evolução de um homem ou de uma nação”.

Oscar Wilde

§§§

Para ler mais:

PEC 287: reforma ou implosão da Previdência Social?

Para entender a PEC 287-2016 – leia na íntegra.

Tramitação da PEC 287-2016

PEC 287 é uma das reformas de maior exclusão social no país, diz Dieese.

 

 

 

 

 

NOTAS:

(1) Detesto ceder ao discurso reinante, mas é golpista mesmo!

Fontes das Imagens:

(1) http://www.todacriancapodeaprender.org.br/parem-o-mundo-que-eu-quero-descer-essa-e-mafalda/

(2) http://www.sisemucb.com.br/wp-content/uploads/2017/01/Contra-PEC-287.jpg

 

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