POESIA – “Constatações”

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“Graduale” – Catedral da SÉ – SP\SP

Foto: Lucas Rodrigues (2016)

“Constatações”

Pelo frio na alvorada

sinto amores ao andar da calçada

Cada um mais torpe que o outro

o amor nunca fora tão insalubre.

§

Mata o ser que te acalentava

explode o coração que lhe assalta

Anuvia a visão que trai a alma

o veneno que destrói da língua os sabores.

§

Esfaqueia a boca do beijo ardente

seca o dedo do anel condescendente

Fataliza a tua vida com o escarro da desgraça

cuja vinda é tão doce quanto o putrefar do corpo em plena morte

§

Pois a vida é nada mais,

que a doce e ao mesmo tempo amarga sina

do sentir enviesado das paixões senis

Tal qual a velhice dormente num corpo são

§

Pois nasci para morrer, e na existência perdi o sentido

de fio o prumo do ser se escorre, em águas cujos filetes se unem ao sangue do meu próprio desfalecer

§

A garganta cortada reluz a tênue cor púrpura

do sangue curtido de álcool e tabaco caro

A dor lancinante da veia não retarda a consciência

de que morrer é a opção mais válida perante o crepúsculo derradeiro que não desejo testemunhar

§

Fui pobre, fui sonhador, fui tolo e apaixonado

e as flores, ah, as flores! que tanto busquei em vida pelas mãos de um alguém

Estas, servirão de companheira para aqui e eternamente no além.

§§

Lucas Rodrigues

26/02/2017

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