A Beleza do Real

A Beleza do Real

ou

Olhando as Rosas como de fato elas são.

por Lucas Rodrigues

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Decoração da Igreja das Mercês – Setembro de 2017 (São João del-Rei-MG) – Foto do autor –

Vaidosa a graciosa se encontram as rosas

Exalam perfume, odor sublime e simples

A cor púrpura, ora intensa, ora suave, nos evoca a contemplação

ação instantânea e sem pensamento

 

No toque à rosa, jaz o encantamento

no primeiro toque escorre vivo o sangue

os espinhos conhecidos, mas sempre subestimados

arruinara o contato com a beleza da rosa

 

Os espinhos lhe fazem parte, sua estrutura a comporta

e como comporta, abriu o ar de descontentamento

frágil é o contato, de mãos egoístas

que querem a rosa, mas não por inteira

 

Feliz quem colhe a rosa para si, ou melhor, a deixa livre

e todos os dias dela cuida

aceitando-lhe por inteira

flor, caule, espinhos

 

Não merece a rosa quem a quer segundo sua idealização

o amor romântico que ao amor genuíno causa desgraça

possessão e ego inflado, murcha ao toque da verdade

esse espinho da cruel clareza da rosa e da vida

 

Apenas uma mão calejada dos toques dos espinhos

a vida, a verdade, a realidade e sua crueza

que ao tocar a rosa a vê como de fato é

e feliz segue, sendo liberto e deixando em liberdade

 

A rosa, que nunca pediu para ser amada

mas o é por si e por outros

se entrega do jeito que é

e fere com o amor genuíno quem genuíno também é [ou tenta ser, apesar de]

§§§

A civilização ocidental, ao longo de sua formação, sempre pregou o amor romântico como a verdade. Mas sabe-se, que o mesmo prestou favores – e ainda presta – às mãos do patriarcado, da submissão feminina pelo homem através dos laços matrimoniais. O mundo capitalista em ascensão no XVIII, em consolidação no XIX, em profundo “sucesso” no XX e em aprofundamento e radicalização no século XXI nos quer fazer acreditar, hegemonicamente, que o amor romântico é o único que existe. Quantas vezes ouvimos daquela pessoa perfeita e ideal que devemos buscar e do “felizes para sempre” que precisamos almejar e conquistar, assim como nos contos de fada?

Sofremos e apanhamos muito da vida. Não conseguimos, muitas vezes, amar a pessoa que nos aparece, do jeito que ela é, amamos apenas o espantalho idealizado que temos dela. Aprender a fugir desse arquétipo não é fácil, nos faz sofrer.

Mas a questão é: como admirar a rosa, por inteira, em verdade, se ainda não temos as mãos calejadas dos espinhos da vida humana e de suas relações?

É preciso se calejar, para viver.

Simplesmente,

Viver.

 

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Lucas Rodrigues é paulistano, pedagogo e licenciando em História pela Universidade Federal de São João Del-Rei em Minas Gerais. Atualmente, dedica-se à pesquisa em História da Arte, com ênfase em Arte Sacra e Imaginária nas Minas Gerais oito e novecentista. Escreve, pois escrever lhe dá motivação para viver, sentir, amar e dar corpo aos devaneios de uma juventude intensa.

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